15 de março de 2013

Manifestação


Gosto destas manifestações. Tão serenas quanto convictas. Não reunindo em volta de nada, rigorosamente inorgânicas e nunca se sujeitando a terceiros, palhaçadas, batucadas e cantilenas. Enchem, quase sempre, muitos Terreiros do Paço e outras tantas Avenidas dos Aliados, simultaneamente. Com uma nada desprezível qualidade: as proclamações são sigilosas e quer as aclamações quer as verberações não são feitas de braço no ar nem me consta que alguém deixe de as fazer com receio que o vizinho saiba e discorde.

Sobre o resultado da auscultação não perco tempo com isso. É o “espelho” do impasse: apanhado em areias movediças, e enquanto não chega a corda ou o galho que o há-de puxar, quanto menos se mexer, melhor. Não será exactamente assim para quantos colhem do pote ou lá esperam ir, mas assim é para todos os outros.