13 de fevereiro de 2013

Um conclave sob regime de quotas?


Aparentemente, do nada mas disseminada por tudo quanto é canto, da comunicação social às redes sociais e em resultado do anúncio da resignação de Bento XVI, antes de qualquer outra coisa desabou, mãos dadas com as inevitáveis teorias conspirativas um tororó de opiniosas perorações sobre quem deve ser ou melhor, que “qualidades” deverá ter o próximo Sumo Pontífice. Acho que, exceptuando preferências com a idade, as restantes são palermices.
O assunto tem relevante interesse se se descartarem os eclesiófobos.

No concernente às qualidades pretendidas, um ingénuo navegando na web anotaria  o prevalente desejo de que fosse africano ou sul-americano. Ou seja ainda um não resignou e já dois ou três cardeais africanos v.g. negros são discriminados.
Para essa gente [que não é tida nem achada para o assunto] a QUALIDADE está na melanina. Como para mim esse critério é uma forma de discriminação racial mais não direi senão, e pela rama, perscrutar vantagens para a Igreja Católica e cristãos caso o próximo Papa acabe por ser um desses cardeais negros -- Peter Turkson ou Francis Arinze -- ou a escolha recair sobre um dos cardeais sul-americanos ou asiático. Não por serem lídimos “clérigos” mas pela proveniência geográfica ou pigmentação.


Será apropriado dizer que, caso se venha a confirmar a tendência e a força no conclave, o regime de quotas tinha entrado no Vaticano à semelhança das quotas reservadas às mulheres na política ou às reivindicadas pelos gays como condição para obterem privilégios em relação aos demais.
Questiono o que ganhou África, e os africanos, por Koffi Anan ter sido secretário-geral da ONU? ou que deu a África, e aos africanos, a mais ou diferente do que a que foi dada por Sekou Touré, J. Ki-Zerbo ou Mandela? o que foi adquirido pela minoria negra americana em consequência dos altos cargos militares e políticos a que se alcandorou [por sua exclusiva competência e reconhecimento dos pares] Collin Powel?
em que é que contribuiu [nesses domínios] Obama mais do que contribuíram de facto nomes mundialmente reconhecidos e muito acima de qualquer encómio ou ditirambo como Denzel  Washington, Sidney Poitier, Morgan Freeman, Ray Charles, …[apenas estes em nome de muitas outras centenas dispersos pelos mais variados campos da actividade humana e por forma a fugir de clichés, tolos, Luther King, Malcolm X, …?]
Estou ciente de que nenhum deles alcançou o prestígio que alcançou por serem negros, pardos, escurinhos, morenos,… nenhum. O que quer dizer que o alcançaram por serem gente de grande envergadura, finíssimo calibre e revelarem alta competência nas actividades que abraçaram. Não percebem alguns [muitos] de esses «"pescadores" da inclusão» que a quota já é, por si, uma discriminação. Cretinos! não há pardos, mestiços, mesclados,… há homens e mulheres que provam estar capacitados para desempenhar bem esta ou aquela função, este ou aqueloutro desafio.