É
o que querem: visibilidade; um pouco de protagonismo. Jamais o teriam se
dependesse da execução de algo útil; que servisse a sociedade.
O
«mal», no caso, não é inteiramente inútil. Cria ao menos ocupação a muitas
vidas no desemprego e concede-lhes alguma reputação. Um dos equívocos da «luta
de classes» é que não se sonha com o nivelamento delas mas apenas com a
inversão de posições. O ódio contra os privilegiados sonha com a inversão do
privilégio. Imagina-se o viver faustoso apenas por ser faustoso mas nunca pelo
que de trabalho, maçada, preocupação ou dispêndio de tempo e energia que para
isso foi necessário. Descartando, obviamente, a fortíssima hipótese da falta de
vocação.
Poucos
nomes mais haverá no léxico panfletário tão ridículos [consequentemente cretinos]
quanto o ápodo de fascista. Os que o são não o dizem portanto, mimoseiam de
fascista quem de facto não é.
Estender-me
mais neste detalhe seria [mais do que menos] desperdiçar pérolas com bácoros. Direi
apenas que nem os «fascistas» têm a mais pequena condição para impôr o que quer
que seja a alguém como não têm os das tunas
protofascistas. Infelizmente, acrescento.
Convenhamos
que a tragédia é precisamente essa: nem condições temos para a utopia.
No
dia seguinte estaríamos todos – pobres, remediados,
pouco ricos e um tanto ricos – na fila da sopa dos pobres, às portas da
Mitra. Como está bem de ver os efectivamente ricos, não contam para este rosário. Sendo ricos, mal acabassem a
refeição, levantavam a mesa com o cuidado de não deixar cair as migalhas da
toalha e a refeição seguinte, fá-la-iam na esplanada de um agradável
restaurante de um boulevard
parisiense ou no areal de uma qualquer praia tropical.
Tanto
caminho feito e nem ao menos aprenderam que o léxico evoluiu. Nem os comunistas
usam e abusam já do fascista. Sem acaso, hoje, os «fascistas» designam-se de «neoliberais»
[e os mais inteligentes já evitam o «neoliberal» e
usam «liberal»]. O termo «fascista», nestes contextos, tem «livre
trânsito» mas para ser usado da mesma forma que Pavlov usou campaínhas com os mastins e provocar o efeito que
provocava na Idade Média, alguém, no meio de um ajuntamento, apontando outrém
como bruxa, blasfema, herege, etc… gritar
fogueira. Com uma diferença: nesse tempo, o desgraçado estaria
irremediavelmente perdido e bem podia encomendar a alma; agora, o ranger de dentes e a salivação são
para administrar politicamente.
Tadinhos!
não lhes falta língua que do resto... é coisa que, sabemos, são desprovidos.
