21 de fevereiro de 2013

Para que serve um peplo, à indigente?


Emparedado pela realidade, Vitor Gaspar corrijiu em baixa o outlook para a economia nacional. Uma correcção [em baixa] de pequena monta: 100%. Como na ocasião escrevi aquela perspectiva era   delírio  [se por outra coisa não fosse, seria pela incoerência comportamental com qualquer série longa]  mas não é isso que interessa: interessa-me perceber [agora, que qualquer bicho careta usa e abusa da «narrativa» e da «gestão de expectativas»] em que medida é que os governos encontram virtudes no que, entendamo-nos, sabem estar errado desde o princípio?
Se encontrei [e por aí deixei apreciações] nexo na forma reiterada com que Sócrates o fez, já no que respeita a este governo, não encontro: nem considerando as dependências [do exterior] ou na esperada inversão de ciclo [económico] ou no emolduramento para os «mercados», nem na gestão das sensibilidades [ao nível das instituições da União Europeia] ou nas expectativas dos cidadãos [em sentido estrito, nem na proximidade de um acto eleitoral,…Não encontro. Por outro lado não aceito que a razão seja uma que em certos mentideros faz caminho: «deficiência comunicacional».
Se é por saberem que «muitas vezes a realidade é tão cruel» que nos perguntamos «se a ilusão não será mais consoladora» e é, então há muito, atendendo às circunstâncias, acho que é pior a emenda que o soneto.