O
Senhor [Buda] respondeu ao Venerável Sariputra:
«Numa certa aldeia vivia um homem idoso, decrépito, de saúde débil e fraco mas rico e abastado. A sua casa era grande e era velha, tendo sido construída há muito tempo. Era habitada por muitos seres vivos, alguns duzentos, trezentos ou quinhentos. Tinha apenas uma porta. O telhado era de palha, os terraços tinham caído, as fundações estavam podres, as paredes, os tabiques e o reboco encontravam-se num adiantado estado de degradação. De súbito deflagrou um grande incêndio e toda a casa começou a arder. E esse homem, que tinha muitos filhos pequenos, cinco, dez ou vinte fugiu de casa. Quando o homem viu a casa em chamas, ficou com medo e tremeu, o seu espírito agitou-se e pensou consigo mesmo:
“É verdade que eu fui suficientemente capaz de sair pela porta e fugir da minha casa em chamas de uma forma rápida e segura, sem ser atingido nem sequer ao de leve por aquela grande massa de fogo. Mas os meus filhos, os meus rapazinhos, os meus filhinhos?
Ali, naquela casa em chamas, brincam e divertem-se com toda a espécie de jogos. Não sabem que a habitação está a arder, não compreendem isso, não se apercebem disso, não dão atenção a isso e, assim, não sentem qualquer agitação. Embora ameaçados, embora em tão estreito contacto com tão grande calamidade não ligam ao perigo e não tentam escapar”»
The
Saddharma Pundarika in Buddhist Scriptures
