1 de fevereiro de 2013

O segredo está na «massa»


                    Da página de um amigo acabei por ir bater à página de um capitão [de Abril, claro. Os outros não me interessam]. Com garbo exibe a criatura, do alto da sua presumida e intrínseca superioridade política e moral, a gravura




Sem pingo de nexo ou sentido crítico, vem sendo replicada por “papagaios” [isso é que é o normal, infelizmente]. Do “cartaz” consta
«Ninguém há-de morrer de fome num país com mais ovelhas do que gente e mais canas de pesca do que de telemóveis»
Terá sido proferido pelo presidente da Islândia há um ano e picos.

                    É evidente que aos atoleimados panfletários nem por um segundo lhes passou pela cabeça que o que resolve o(s) problema(s) do(s) vizinho(s) pode não resolver o próprio. Não percebem que o dito não se nos aplica porque o segredo está na «massa».
                 Tomando as ovelhas e as canas de pesca em sentido figurado acontece que em Portugal i) as ovelhas são menos do que «a gente» [desconsiderando os carneiros que nada mais fazem senão balir] e ii) os telemóveis são muitos mais do que as canas de pesca.
                   Deu-se o caso de, na Islândia, «a gente» ter dado o tratamento adequado aos vigaristas. A começar pelos políticos, julgo saber. Tratou-os pelos nomes próprios e não me constou que algum tivesse o apelido Mercado. «A gente» islandesa, por  quanto é dado saber, não lhe caem os parentes na lama por pastorear  ovelhas ou fazer pela vida de cana de pesca na mão.  Formas de encarar a vida e “atitudes” dissemelhantes das que há décadas, aqui, no logradouro, fazem escola. É verdade que «a gente» islandesa condescende [sem ir ao divã do psicanalista] com a realidade e, quiçá, desconformes com o arquétipo «as pessoas não suportam o realismo em excesso» de C. Jung.  “Coisas” de gente pobre! já no que a nós respeita e quanto à conformidade do aforismo «Até lambia o cu do cão se daí me viesse pão»… é, digo, em larga medida o jeito, a regra.

Dito assim e porque para bom entendedor basta meia-palavra, fica tudo dito.

                  «Antes de alfabetizar, é necessário provar a excelência do alfabetismo. O povo não sabe para que serve ler. O animal também não. É uma ingenuidade, por exemplo, promover o povo da pocilga em que vive à casa limpa em que se deve viver. Quem ama a casa limpa é quem tem um espírito limpo em que essa casa se coordena com mil outros valores. É por isso que muita gente vive em «bairros de lata», podendo viver num andar decente. Simplesmente para eles não é a casa que é um valor: é o carro, a TV, o bom vestuário, o futebol e a borracheira. Valorizar a casa é ter hábitos de casa: convívio familiar, leitura, isolamento. A casa para eles, é apenas o lugar onde de noite se cuida da demografia e se não apanha muita chuva»

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