Da página de um amigo
acabei por ir bater à página de um capitão [de Abril, claro. Os outros não me
interessam]. Com garbo exibe a criatura, do alto da sua presumida e intrínseca
superioridade política e moral, a gravura
Sem pingo de nexo ou
sentido crítico, vem sendo replicada por “papagaios” [isso é que é o normal,
infelizmente]. Do “cartaz” consta
«Ninguém há-de morrer de fome num país com
mais ovelhas do que gente e mais canas de pesca do que de telemóveis»
Terá
sido proferido pelo presidente da Islândia
há um ano e picos.
É evidente que aos
atoleimados panfletários nem por um segundo lhes passou pela cabeça que o que
resolve o(s) problema(s) do(s) vizinho(s) pode não resolver o próprio. Não percebem
que o dito não se nos aplica porque o segredo está na «massa».
Tomando as ovelhas e as canas
de pesca em sentido figurado acontece que em Portugal i) as ovelhas são menos do que «a
gente» [desconsiderando os carneiros que nada mais fazem senão balir] e ii) os telemóveis são muitos mais
do que as canas de pesca.
Deu-se o caso de, na Islândia, «a gente» ter
dado o tratamento adequado aos vigaristas. A começar pelos políticos, julgo saber. Tratou-os pelos nomes próprios e não
me constou que algum tivesse o apelido Mercado. «A gente» islandesa, por quanto é dado saber, não lhe caem os parentes
na lama por pastorear ovelhas ou fazer
pela vida de cana de pesca na mão.
Formas de encarar a vida e “atitudes” dissemelhantes das que há décadas,
aqui, no logradouro, fazem escola. É verdade que «a gente» islandesa
condescende [sem ir ao divã do psicanalista] com a realidade e, quiçá,
desconformes com o arquétipo «as pessoas não suportam o realismo em excesso»
de C. Jung. “Coisas” de gente pobre! já no que a nós respeita
e quanto à conformidade do aforismo
«Até lambia o cu do
cão se daí me viesse pão»…
é, digo, em larga medida o jeito, a regra.
Dito
assim e porque para bom entendedor basta meia-palavra, fica tudo dito.
«Antes de alfabetizar, é necessário provar a
excelência do alfabetismo. O povo não sabe para que serve ler. O animal também
não. É uma ingenuidade, por exemplo, promover o povo da pocilga em que vive à
casa limpa em que se deve viver. Quem ama a casa limpa é quem tem um espírito
limpo em que essa casa se coordena com mil outros valores. É por isso que muita
gente vive em «bairros de lata», podendo viver num andar decente. Simplesmente
para eles não é a casa que é um valor: é o carro, a TV, o bom vestuário, o
futebol e a borracheira. Valorizar a casa é ter hábitos de casa: convívio
familiar, leitura, isolamento. A casa para eles, é apenas o lugar onde de noite
se cuida da demografia e se não apanha muita chuva»

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