Primeiro
foi o Hino
Nacional... encontravam-se dois rouxinóis à esquina, aborrecidos com a
situação ou esfusiantes com um qualquer feito [de
preferência desportivo ou a inscrever no Guiness] e, certo e sabido,
acabavam a conversa de Hino Nacional a vibrar as cordas vocais;
depois uns poucos, menos básicos ou mais cabotinos, passaram a cantarolar [e as ocasionais plateias de cerviz dobrada e nó a apertar
o gargomilo a escutar, solenemente] “Cantai” [de Fernando Lopes Graça];
agora estamos no topo da lista dos hits -- Grândola: os rouxinóis juntam-se
para exorcizar fantasmas e maus-olhados, cantando Grândola.
Desconheço
se existe alguma ligação entre a exuberância dos rouxinóis e as estações do ano
[aliás sobre costumes ornitológicos nada sei; sequer
se os rouxinóis são ou não, aves de arribação]. Se há, a Primavera
está aí; será linda (est)a Primavera em Portugal.
Não
sei da transumância de andorinhas e
rouxinóis como não sei se as gaivotas são vizinhos colaborantes e pacíficos dos
rouxinóis o que não obsta a que lhes proponha, no domínio do «semiótico urbano»*,
um outro hit -- «Uma gaivota
voava, voava,/ asas de vento,/ coração de mar./
Como ela,
somos livres,/ somos livres de
voar.» [de Ermelinda Duarte]
*da grafitologia na empáfia intelectualóide de Carlos
Magno