20 de fevereiro de 2013

(A playlist d)Os rouxinóis


Primeiro foi o Hino Nacional... encontravam-se dois rouxinóis à esquina, aborrecidos com a situação ou esfusiantes com um qualquer feito [de preferência desportivo ou a inscrever no Guiness] e, certo e sabido, acabavam a conversa de Hino Nacional a vibrar as cordas vocais; depois uns poucos, menos básicos ou mais cabotinos, passaram a cantarolar [e as ocasionais plateias de cerviz dobrada e nó a apertar o gargomilo a escutar, solenemente] “Cantai” [de Fernando Lopes Graça]; agora estamos no topo da lista dos hits -- Grândola: os rouxinóis juntam-se para exorcizar fantasmas e maus-olhados, cantando Grândola.

Desconheço se existe alguma ligação entre a exuberância dos rouxinóis e as estações do ano [aliás sobre costumes ornitológicos nada sei; sequer se os rouxinóis são ou não, aves de arribação]. Se há, a Primavera está aí; será linda (est)a Primavera em Portugal.

Não sei da transumância de andorinhas e rouxinóis como não sei se as gaivotas são vizinhos colaborantes e pacíficos dos rouxinóis o que não obsta a que lhes proponha, no domínio do «semiótico urbano»*, um outro hit  -- «Uma gaivota voava, voava,/ asas de vento,/ coração de mar./ Como ela, somos livres,/ somos livres de voar.» [de Ermelinda Duarte]

*da grafitologia na empáfia intelectualóide de Carlos Magno