13 de janeiro de 2013

Sobre o mundo dos «presque rien», das «pépas»

A paciência é virtude que, não sei porquê, me não coube em sorte. Devo ter ficado farto dos nove meses à espera de nascer. E nunca mais me recompús.
É de ficar com os olhos trocados, com o juizo às avessas. E eu é que sou o pimpão e outros epolamentos de altivez?!

Nunca como no nosso tempo houve tanto hipócrita, aldrabão, cabotino, génios com a duração das cerejas e vigaristas do viségimo. Na negação cabem todos os larápios e jogadores, todos os falhados e maltrapilhos. Graças a Deus que estou a  ficar cada vez mais “surdo” e “cego”. De língua é que não apesar de saber, como sempre soube, que a pouca sinceridade pode ser uma coisa perigosa e que a muita sinceridade é absolutamente fatal.

Quando é que dizemos a alguém que é inteligente? Não é talvez quando raciocina bem ou tem uma lógica segura e iluminada. É inteligente, suponho, quem é fecundo no erro e, sem dúvida, na mistificação.
No que me respeita pretendo continuar a nunca vacilar entre o rigor e a astúcia – o rigor; a disciplina e o expediente – a disciplina; a probidade e o aventureirismo – a probidade. Não aprecio paradas mas estimo, fascinam-me, os franco-atiradores.

Que náusea e irritação me dão estas subclasses de homo sapiens. Envaidecem-se de si, presumem cultivar a singularidade, acreditam distanciar-se da comunidade, trabalham – cretinos – a frase sentenciosa para a citação, praticam a desenvoltura e o avançadismo por forma a não verem ninguém à sua frente.
Como se explica a um cretino que a singularidade é uma coisa e o sinal distintivo é outra bem diferente, que a singularidade é intrínseca mas o sinal distintivo é imanente e sendo-o, só o apreende quem pode e não quem quer. Acho que não é tarefa fácil: se o fosse jamais os ofícios de personnal-trainer  e advisers de especiosas complementaridades seriam métiers com futuro.
Como se explica que o exclusivo, naturalmente, já passou por melhores dias; que o distinto e o único até podem, por vezes, interceptar-se mas são de naturezas diversas. Como se explica que nada que floresça nos subúrbios, faz a história do mundo. Nem quando o mundo fôr um gigantesco subúrbio.

Cada vez mais as pessoas, mesmo as “responsáveis”, o que procuram é saltar sobre tudo como quem pisa as alpondras de um curso de água. Tal o medo de correr o risco de cair e ficarem ensopados por terem parado para pensar.

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