A
paciência é virtude que, não sei porquê, me não coube em sorte. Devo ter ficado
farto dos nove meses à espera de nascer. E nunca mais me recompús.
É
de ficar com os olhos trocados, com o juizo às avessas. E eu é que sou o pimpão
e outros epolamentos de altivez?!
Nunca
como no nosso tempo houve tanto hipócrita, aldrabão, cabotino, génios com a
duração das cerejas e vigaristas do viségimo. Na negação cabem todos os
larápios e jogadores, todos os falhados e maltrapilhos. Graças a Deus que estou
a ficar cada vez mais “surdo” e “cego”.
De língua é que não apesar de saber, como sempre soube, que a pouca sinceridade
pode ser uma coisa perigosa e que a muita sinceridade é absolutamente fatal.
Quando
é que dizemos a alguém que é inteligente? Não é talvez quando raciocina bem ou
tem uma lógica segura e iluminada. É inteligente, suponho, quem é fecundo no
erro e, sem dúvida, na mistificação.
No
que me respeita pretendo continuar a nunca vacilar entre o rigor e a astúcia –
o rigor; a disciplina e o expediente – a disciplina; a probidade e o
aventureirismo – a probidade. Não aprecio paradas mas estimo, fascinam-me, os
franco-atiradores.
Que náusea e irritação me dão estas subclasses de homo sapiens. Envaidecem-se de si, presumem cultivar a singularidade, acreditam distanciar-se da comunidade, trabalham – cretinos – a frase sentenciosa para a citação, praticam a desenvoltura e o avançadismo por forma a não verem ninguém à sua frente.
Como
se explica a um cretino que a singularidade é uma coisa e o sinal distintivo é
outra bem diferente, que a singularidade é intrínseca mas o sinal distintivo é
imanente e sendo-o, só o apreende quem pode e não quem quer. Acho que não é
tarefa fácil: se o fosse jamais os ofícios de personnal-trainer e advisers de especiosas complementaridades seriam métiers com futuro.
Como
se explica que o exclusivo, naturalmente, já passou por melhores dias; que o
distinto e o único até podem, por vezes, interceptar-se mas são de naturezas diversas. Como se explica que nada que floresça nos subúrbios, faz a história
do mundo. Nem quando o mundo fôr um gigantesco subúrbio.
Cada vez mais as pessoas, mesmo as “responsáveis”, o que procuram é saltar sobre tudo como quem pisa as alpondras de um curso de água. Tal o medo de correr o risco de cair e ficarem ensopados por terem parado para pensar.
Cada vez mais as pessoas, mesmo as “responsáveis”, o que procuram é saltar sobre tudo como quem pisa as alpondras de um curso de água. Tal o medo de correr o risco de cair e ficarem ensopados por terem parado para pensar.

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