«Quem está de dentro como o
bicho da fruta, morre com a podridão que provoca»
Jorge
de Sena
António Ferreira, presidente do Conselho de Administração do Centro
Hospitalar S. João (CHSJ), a partir do momento em que no programa televisivo Olhos nos Olhos
apontou com (quase) todas as letras e (mais alguns) silêncios cautelosos, umas
poucas generalidades
[que impressionam as retinas dos cidadãos mais pitosgas mas não
impressionam as dos agremiados, avençados, serviçais,… e demais colégios de
proxenetas e consortes da república deste logradouro]
tornou-se uma
“figura” polémica.
Polémico por ter apontado e fazer propostas. Que reiterou.
A saber “coisas” demasiado rudimentares e muito provavelmente, presumo, inconstitucionais
[mas o que é que haverá que
caiba, umas vezes, debaixo daquele chapéu e outras vezes o seu contrário?!]
como, por exemplo, o levantamento do sigilo bancários dos administradores
hospitalares, a exclusividade de todos os profissionais de saúde, o
encerramento de serviços e o racionamento ético de medicamentos.
No instante imediato apareceu o dono da loja, a Ordem,
a verberar as generalizações. São, de facto, inadmissíveis, as generalizações
[por sabermos, todos, que
chegámos ao ponto em que estamos porque de alto a baixo da sociedade a
probidade, seriedade e outras adjectivas virtudes colectivas terminadas em
«ade», são inquestionáveis. Não foi por isso, portanto. Foi por, outra vez, nos
ter desabado em cima um descomunal azar. Desse poder-nos-iam falar os Távoras
só que não sobrou nenhum. Outra vez azar.].
Imagino que a criatura, António
Ferreira, deve ter uma considerável cauda de amigos. Mas, da mesma maneira,
também imagino o sentimento que pelos amigos deve nutrir; se é que nutre algum. Espero
eu que nenhum. Imagino que [na sua qualidade de médico] saiba qual é o melhor
soro antiofídico bem como a melhor maneira de criar anticorpos.
Sem
a mais pequena ponta de ironia também eu defendo que, as generalizações, são
quase sempre uma forma de denunciando todos, acusar ninguém. É evidente. Tão
evidente isso como evidente é que assim é por, também, de alto a baixo e da
esquerda á direita, em modulações diferenciadas, sermos todos perpetradores.
Ai
de quem não o fôr ou a isso não estiver disposto: o mínimo que acontece é na
primeira saída à rua reparar que, num ápice, se tornou num ilustre desconhecido
ou, sem comprovação clínica, se tornou num «leproso».
Verdade
seja dita que com essa perspectiva, há quem não se atemorize ou detenha.

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