26 de janeiro de 2013

Rectitude


«Quem está de dentro como o bicho da fruta, morre com a podridão que provoca»
Jorge de Sena

António Ferreira, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar S. João (CHSJ), a partir do momento em que no programa televisivo Olhos nos Olhos apontou com (quase) todas as letras e (mais alguns) silêncios cautelosos, umas poucas generalidades
[que impressionam  as retinas dos cidadãos mais pitosgas mas não impressionam as dos agremiados, avençados, serviçais,… e demais colégios de proxenetas e consortes da república deste logradouro]
tornou-se uma “figura” polémica.


Polémico por ter apontado e fazer propostas. Que reiterou. A saber “coisas” demasiado rudimentares e muito provavelmente, presumo, inconstitucionais
[mas o que é que haverá que caiba, umas vezes, debaixo daquele chapéu e outras vezes o seu contrário?!]
como, por exemplo, o levantamento do sigilo bancários dos administradores hospitalares, a exclusividade de todos os profissionais de saúde, o encerramento de serviços e o racionamento ético de medicamentos.
No instante imediato apareceu o dono da loja, a Ordem, a verberar as generalizações. São, de facto, inadmissíveis, as generalizações
[por sabermos, todos, que chegámos ao ponto em que estamos porque de alto a baixo da sociedade a probidade, seriedade e outras adjectivas virtudes colectivas terminadas em «ade», são inquestionáveis. Não foi por isso, portanto. Foi por, outra vez, nos ter desabado em cima um descomunal azar. Desse poder-nos-iam falar os Távoras só que não sobrou nenhum. Outra vez azar.].

Imagino que a criatura,  António Ferreira, deve ter uma considerável cauda de amigos. Mas, da mesma maneira, também imagino o sentimento que pelos amigos deve nutrir; se é que nutre algum. Espero eu que nenhum. Imagino que [na sua qualidade de médico] saiba qual é o melhor soro antiofídico bem como a melhor maneira de criar anticorpos.

Sem a mais pequena ponta de ironia também eu defendo que, as generalizações, são quase sempre uma forma de denunciando todos, acusar ninguém. É evidente. Tão evidente isso como evidente é que assim é por, também, de alto a baixo e da esquerda á direita, em modulações diferenciadas, sermos todos perpetradores.
Ai de quem não o fôr ou a isso não estiver disposto: o mínimo que acontece é na primeira saída à rua reparar que, num ápice, se tornou num ilustre desconhecido ou, sem comprovação clínica, se tornou num «leproso».

Verdade seja dita que com essa perspectiva, há quem não se atemorize ou detenha. 

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