6 de janeiro de 2013

Não podes construir nuvens *


                   Por fazer 40 anos voltei a comprar o Expresso. Conclusão: não há razão alguma para voltar à assiduidade [interrompida há cerca de sete meses] que mantive ao longo desses quarenta anos [se desconsiderar outro interregno de pouco mais de três meses e que, com causalidade, correspondeu ao derradeiro trimestre do governo de Balsemão]. Quanto muito -- caeteris paribus -- é para ser lido, de fio a pavio, uma vez de meio em meio ano.
                                                                O tempo passa, tudo muda e nessa mudança se inclui a mudança do próprio. Há, sem a mais pequena dúvida, coisas que largamos [não tem que ver com nada que possa ser  entendido como desprestigiante] ao longo da vida. Deixam de ter interesse. Não por terem deixado de ser importantes mas por as expectativas sobre os desenlaces, terem deixado de suscitar qualquer tipo de curiosidade sequer intelectual.
 
* E é por isso que o futuro com se sonhas nunca se realiza
   Witgenstein, L.

 

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