10 de janeiro de 2013

Les jeux sont faits (I)


Tomar o desejo pela realidade                            

 Conforme as expectativas plausíveis numa sociedade ciclotímica como é a nossa outro frémito seria de esperar que não este: um maremoto de saliva, baba e ranho. Muita histeria e pouco siso.
É sabido que estamos na fase em que o cigano pede 100 e o comprador, indignado, oferece 10. Daí até haver negócio, ou não, …
A opiniosa e iracunda torrente que por aí desabou não tardará muito, serão sussurros.
                                       O relatório encomendado a técnicos do FMI «Rethinking the State -- Selected Expenditure Reform Options» é só isso: uma proposta de trabalho. O destino que lhe está traçado é mais o de encher o cesto dos papéis do que terminar os dias como nasceu. Das muitas razões [para que assim vá acontecer] destaco duas, apenas
1 -- será o governo [e se fôr o actual já nem é mau de todo] a ignorá-lo [no PSD já há quem fale em decepar];
2 – no verão de 2006 uma “turma” de liberais [e muitos outros que nem-por-isso], autodenominada Compromisso Portugal, resolveu estudar isto e propôr reformas. Na ocasião [sobre as propostas deles] escrevi
«Querem que os leve a sério ou não
[sem pôr em causa o empenho e a sinceridade com que o fizeram]
«(...) alguém com dois dedinhos de testa crê possível uma talhada destas? E barricadas nas ruas e uma guerra civil à porta, não?! não acrescento fim da democracia porque a Europa, embora frágil, não deixaria ir pelo cano tantos milhões de milhões [mais de 75 bi] de euros (...)»
Não os podia levar a sério. Propôr uma redução de 200 mil funcionários públicos, assim, de sopetão -- sei lá, num quinquénio --, não era para ser levado a sério.


                                      Agora, com uma economia em forte retracção há três anos [e a promessa de mais um] sugerir uma redução de mais ou menos 100 mil é equivalente se não pior.Ora, ora…tenham juízo ou na sua falta, proponho:
ponham a economia a crescer, sustentadamente, acima dos 4% e então, sim, cortem: à séria.

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