Tomar
o desejo pela realidade
É
sabido que estamos na fase em que o cigano pede 100 e o comprador, indignado,
oferece 10. Daí até haver negócio, ou não, …
A
opiniosa e iracunda torrente que por aí desabou não tardará muito, serão sussurros.
O
relatório encomendado a técnicos do FMI «Rethinking
the State -- Selected
Expenditure Reform Options» é
só isso: uma proposta de trabalho. O destino que lhe está traçado é mais o de
encher o cesto dos papéis do que terminar os dias como nasceu. Das muitas razões
[para que assim vá acontecer] destaco duas,
apenas
1
-- será o governo [e se fôr o actual já nem é mau
de todo] a ignorá-lo [no PSD já há quem fale
em decepar];
2
– no verão de 2006 uma “turma” de liberais [e
muitos outros que nem-por-isso], autodenominada Compromisso Portugal, resolveu estudar isto e propôr reformas. Na
ocasião [sobre as propostas deles] escrevi
«Querem que os leve a sério ou não?»
[sem pôr em causa o empenho e a sinceridade com que o fizeram]
«Querem que os leve a sério ou não?»
[sem pôr em causa o empenho e a sinceridade com que o fizeram]
«(...) alguém com dois dedinhos de testa crê possível uma talhada destas? E barricadas nas ruas e uma guerra civil à porta, não?! não acrescento fim da democracia porque a Europa, embora frágil, não deixaria ir pelo cano tantos milhões de milhões [mais de 75 bi] de euros (...)»
Não os podia levar a sério. Propôr uma redução de 200 mil funcionários públicos, assim, de sopetão -- sei lá, num quinquénio --, não era para ser levado a sério.
Agora, com uma economia em forte retracção há três anos [e a promessa de mais um] sugerir uma redução de mais ou menos 100 mil é equivalente se não pior.Ora, ora…tenham juízo ou na sua falta, proponho:
Não os podia levar a sério. Propôr uma redução de 200 mil funcionários públicos, assim, de sopetão -- sei lá, num quinquénio --, não era para ser levado a sério.
Agora, com uma economia em forte retracção há três anos [e a promessa de mais um] sugerir uma redução de mais ou menos 100 mil é equivalente se não pior.Ora, ora…tenham juízo ou na sua falta, proponho:
ponham a economia a crescer, sustentadamente, acima
dos 4% e então, sim, cortem: à séria.
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