18 de janeiro de 2013

Expressões de um percurso regressivo ou evolutivo?

Há muito quem se admire de o macaco andar em pé. Fomos macacos, podemos comunicar como quisermos. A Natureza não se contraria.

Serão, quiçá, as senhas para o início de uma caminhada de retorno às cavernas. Estridentes em demasia, nada moduladas, monocórdicas é certo. A linguagem evoluirá de acordo com as necessidades e esse caminho far-se-á, como sempre, caminhando. Assim terá sido que, no cenozóico, os que nos antecederam  descobriram as primícias da comunicação. Esta “partida”, digamos, é comparativamente mais democrática. Ao menos isso.

Largaram os galhos e percorreram um longuíssimo caminho para as “colmeias” que, entretanto, inventaram. Outras adaptações há, urbanas e conformes. Na actualidade, perante a escassez de galhos fazem «parkour», por exemplo.


Na minha rua, à noite, os canídeos também procedem em conformidade. Uns ladram e/ou uivam. Os das ruas adjacentes respondem: uns uivam, outros ladram.
As dissemelhanças entre uns e outros resultam da espécie, somente. São de espécies diferentes. É uma uniformização acéfala? Será. Mas, se se entenderem, não será por isso que virá mal ao mundo. Já foram feitas outras tentativas uniformizadoras, o esperanto, que não vingou talvez por ser, ainda, demasiado elaborado.

Será mais um, inconsciente, ensaio para a instalação de uma palinódia comunicacional.

 
Nada de novo, portanto. É mais ou menos um fenómeno de mimetização pelas espécies mais evoluídas às menos evoluídas.

Espécies há, sabemos, que se aproximam ou afastam pelo cheiro; se impôem pelo tamanho; fazem-se respeitar pelo porte, barulho, …; defendem-se pelo disfarce; informam pela micção contra a parede, árvore, arbusto,…
“Comunidades” há [e que fazem uso de “ferramentas” bem mais evoluídas] em que o reconhecimento, importância, relevância, etc… se expressa pela quantidade de «amigos» [não interessa se de facto ou presumidos];  a empatia e a “visita” por «likes»; a antipatia pela ausência ou omissão; a comunicação pelo replicação ou eco; a opinião [mais as vezes que sim do que as que não] pela inserção de um ícone [que os há para exprimir os múltiplos átimos e estados de espírito]; a marcação de território pelo fechamento, clausura, indisponibilidade,…

Afinal, as diferentes espécies para comunicarem entre si, nunca precisaram de outra muleta senão a capacidade de identificar ou reconhecer as particularidades distintivas das feromonas exaladas pelos demais. Se isso é uma «impressão digital», nós na falta desse «chip» natural recorremos à tecnologia [tão melhor quanto mais simples, intuitiva e uniformizadora fôr.
A substância da interacção… É o que é e bom de ver. Há de tudo: dos silvos ao chilreio, dos gritos aos urros,… E, apesar de tudo, umas quantas excepções [a definhar].

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