Há
muito quem se admire de o macaco andar em pé. Fomos macacos, podemos comunicar como quisermos. A Natureza não se contraria.
Serão,
quiçá, as senhas para o início de uma caminhada de retorno às cavernas.
Estridentes em demasia, nada moduladas, monocórdicas é certo. A linguagem
evoluirá de acordo com as necessidades e esse caminho far-se-á, como sempre,
caminhando. Assim terá sido que, no cenozóico, os que nos antecederam descobriram as primícias da comunicação. Esta
“partida”, digamos, é comparativamente mais democrática. Ao menos isso.
Largaram os galhos e percorreram um longuíssimo caminho para as “colmeias” que, entretanto, inventaram. Outras adaptações há, urbanas e conformes. Na actualidade, perante a escassez de galhos fazem «parkour», por exemplo.
Na
minha rua, à noite, os canídeos também procedem em conformidade. Uns ladram e/ou
uivam. Os das ruas adjacentes respondem: uns uivam, outros ladram.
As
dissemelhanças entre uns e outros resultam da espécie, somente. São
de espécies diferentes. É
uma uniformização acéfala? Será. Mas, se se entenderem, não será por isso que
virá mal ao mundo. Já foram feitas outras tentativas uniformizadoras, o esperanto, que não vingou talvez por ser, ainda, demasiado elaborado.
Será mais um, inconsciente, ensaio para a instalação de uma palinódia comunicacional.
Nada
de novo, portanto. É mais ou menos um fenómeno de mimetização pelas espécies
mais evoluídas às menos evoluídas.
Espécies
há, sabemos, que se aproximam ou afastam pelo cheiro; se impôem pelo tamanho; fazem-se
respeitar pelo porte, barulho, …; defendem-se pelo disfarce; informam pela
micção contra a parede, árvore, arbusto,…
“Comunidades”
há [e que fazem uso de “ferramentas” bem mais evoluídas] em que o
reconhecimento, importância, relevância, etc…
se expressa pela quantidade de «amigos» [não interessa se de facto ou
presumidos]; a empatia e a “visita” por
«likes»; a antipatia pela ausência ou omissão; a comunicação pelo replicação ou
eco; a opinião [mais as vezes que sim do que as que não] pela inserção de um
ícone [que os há para exprimir os múltiplos átimos e estados de espírito]; a
marcação de território pelo fechamento, clausura, indisponibilidade,…
Afinal,
as diferentes espécies para comunicarem entre si, nunca precisaram de outra muleta senão a capacidade de identificar
ou reconhecer as particularidades distintivas das feromonas exaladas pelos demais. Se isso é uma «impressão digital»,
nós na falta desse «chip» natural recorremos à tecnologia [tão melhor quanto
mais simples, intuitiva e uniformizadora fôr.
A
substância da interacção… É o que é e bom de ver. Há de tudo: dos silvos ao chilreio,
dos gritos aos urros,… E, apesar de tudo, umas quantas excepções [a definhar].
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