14 de janeiro de 2013

De boca em «Ó»


com o argumentário político-pedagógico ontem debitado por Marcelo Rebelo de Sousa. Fiquei.
Os do FMI ignoraram em absoluto todas «as mais profundas razões [históricas]», para estarmos assim.
[Nós] «fomos a primeira monarquia absolutista da Europa e a última a deixar de o ser»; «eles têm de compreender que, mesmo errado, isto é o que é»; […]
Na verdade é, bem vistas as coisas, exactissimamente o mesmo do defendido por Luis Nazaré
«nós temos de definir o padrão de vida de que não estamos dispostos a abdicar e então pedir solidariedade europeia»

Como é evidente foi mero acaso ter escrito a 10.01.13 [a propósito do «relatório»]
«um maremoto de saliva, baba e ranho. Muita histeria […] estamos na fase em que o cigano pede 100 e o comprador, indignado, oferece 10.»

Nós somos assim. Tanto somos que foi por assim sermos que Gil Vicente escreveu
«os fidalgos cobertos de dívidas preferem buscar mercês da Coroa em vez de empreender»
E se dúvidas subsistirem quanto a essa nossa condição de assim sermos, bastará (re)ler o Testamento Político de D. Luis da Cunha [séc.XVIII] no que respeita, por exemplo, ao estado da justiça
«se digo que na justiça se devem evitar dilações, também é justo que na distributiva se abrevie o procedimento das causas, em que, muitas vezes, assim os autores como os réus têm dispendido mais do que elas valem, sem lhes verem o fim […] o primeiro motivo deste desconcerto provém do grande enxame de advogados […] não são somente os advogados os que com as suas trapaças dilatam as sentenças, mas também os juízes, que por preguiça demoram […]»
Ora nisto só há um pequeno probleminha: É que sendo nós como somos e sendo os outros como são [o que até ver é também um direito que lhes assiste], fica por saber até quando estão eles dispostos a pagar para continuar sendo como somos.
Há indícios de que a paciência [deles] é menor do que a suposta [por nós].

~ Conclusão ~
nada disto será assim tão ingente. Afinal quem ficou de boca em «ó», fui eu.
[seja-me relevada eventual petulância mas nunca me passou pela cabeça que por entender as coisas da forma que entendo, desejar o que desejo, não sendo natural de Portugal, não conhecendo Portugal, ter cá chegado aos 20 anos de idade, etc… pudesse ser apodado de estrangeirado. Ele há cada uma.]

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