com
o argumentário político-pedagógico ontem debitado por Marcelo Rebelo de Sousa. Fiquei.
Os
do FMI ignoraram em absoluto todas «as mais profundas razões [históricas]», para
estarmos assim.
[Nós]
«fomos a
primeira monarquia absolutista da Europa e a última a deixar de o ser»;
«eles têm de
compreender que, mesmo errado, isto é o que é»; […]
Na
verdade é, bem vistas as coisas, exactissimamente o mesmo do defendido por Luis Nazaré
«nós
temos de definir o padrão de vida de que não estamos dispostos a abdicar e
então pedir solidariedade europeia»
Como é evidente foi mero acaso ter escrito
a 10.01.13 [a propósito do «relatório»]
«um maremoto de saliva, baba e ranho. Muita histeria […] estamos na fase em que o cigano pede 100
e o comprador, indignado, oferece 10.»
Nós somos assim. Tanto somos que foi por
assim sermos que Gil Vicente escreveu
«os fidalgos cobertos de dívidas preferem buscar mercês da Coroa em vez de
empreender»
E se dúvidas subsistirem quanto a essa
nossa condição de assim sermos, bastará (re)ler o Testamento Político de D.
Luis da Cunha [séc.XVIII] no que respeita, por exemplo, ao estado da
justiça
«se digo que na justiça se devem evitar dilações, também é justo que na
distributiva se abrevie o procedimento das causas, em que, muitas vezes, assim
os autores como os réus têm dispendido mais do que elas valem, sem lhes verem o
fim […] o primeiro
motivo deste desconcerto provém do grande enxame de advogados […] não são somente os advogados os que com
as suas trapaças dilatam as sentenças, mas também os juízes, que por preguiça
demoram […]»
Ora nisto só há um pequeno probleminha: É
que sendo nós como somos e sendo os outros como são [o que até ver
é também um direito que lhes assiste], fica por saber até quando estão eles
dispostos a pagar para continuar sendo como somos.
Há indícios de que a paciência [deles] é
menor do que a suposta [por nós].
~ Conclusão ~
nada disto será assim tão ingente. Afinal
quem ficou de boca em «ó», fui eu.
[seja-me
relevada eventual petulância mas nunca me passou pela cabeça que por entender as
coisas da forma que entendo, desejar o que desejo, não sendo natural de
Portugal, não conhecendo Portugal, ter cá chegado aos 20 anos de idade, etc… pudesse ser apodado de estrangeirado.
Ele há cada uma.]

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