«Portugal está cheio de gajos porreiros. Mas o nacional-porreirismo não é mais do que uma declinação açucarada da velha filhadaputice»
João Miguel Tavares
Dois nefelibatas, exaustos de uma conversa absurda
[…]
Vladimir – Então, vamos embora?
Estragon – Vamos.
[…]
in À espera de Godot
porém nenhum deles se mexe ou, de isso, faz menção.
Me parece que foi mais ou menos assim que “começaram”
o ano.
Abeiramo-nos
da porta do salão de festas e pelos barulhos que lá de dentro nos chegam,
adivinha-se que chamem-lhe o que quiserem: arraial, farruncho, chavascal,
bacanal, … baile, não será. Não perdem pela demora. Não será assim que escoarão o
ano e muito menos será nessa modorra que o terminarão. Por certo têm que
gostem ou não [da festa], entrem ou não [no salão], hão-de pagar [bilhete]: se
não à entrada, à saída; se não à saída em diferido [recebem os códigos para
pagamento no Mb em casa].
Algaraviada
já é [em crescendo nas redes sociais]
A exposta [por causa das redes sociais] prosápia e
pimponice [da qual tenho cada vez mais dificuldade em distinguir se são mais os
pulhastros, se o pulguedo] de isso não passa: fanfarronice. Uma amálgama de
pequenas provocações, muitos impropérios, aleivosias, as triviais jeremíadas, uma insulsa e acrítica
montanha de likes e interjeições dando
forma de letra a um rol [as mais das vezes desconexo] de eflúvios mal
ajambrados.
Será que outra coisa seria expectável por parte d’«esta gente
escarninha que assiste a tudo cagadinha de medo e refocilada no anonimato que a
diluição no rebanho lhes confere»? Evidentemente que não.
Da
maneira que [alguns mas em expansão] escrevem e expõem os seus [deles] pontos
de vista, não seria preferível colocarem apenas uma impressão digital?
garantiam os respectivos royalties e
poupavam-nos o tempo, a paciência, boa-vontade, …
«O humanista devia cortar com o hábito da própria
bestialidade potencial e distanciar-se da escalada desumanizadora da vociferante
matilha do espectáculo»
recomenda Sloterdijk
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