Nenhum
dos meus leitores estranhará que o que menos me importa é se, de facto, Marcelo
mentiu ou se é João Soares que mente. Que um dos dois está a mentir, está. E
que ambos nos podiam ter dispensado desses enviesamentos de carácter e
personalidade, também.
Tudo
isto, da conversa [imaginada por Marcelo] à denúncia pública da sua
inexistência [por parte de João Soares] compõe, para desgraça e para
infelicidade nossa, a aldeola por
onde se espraiam as nossas putativas elites da qual estes dois personagens são
referências, referenciadas.
Interessa-me
a estória como ilustração. Ilustração da efectiva, e corrosiva, pequenez desta
gente.
Uma saloiada pegada; uns provincianos. Digamos que é por esta e imensas
outras razões que nunca perdi de ideia que o prejuízo está em cair no redil ou dele não se conseguir livrar.
Podem
ser uns mais do que os outros instruídos, reconhecidos, etc…mas reconhecidos, instruídos ou não, padecem de uma maleita congénita ou adquirida que,
subtilmente, afecta a sociedade em geral.
Toda
essa gente pesa o que pesa e em múltiplos domínios valem o que valem -- e valem
--, porque a populaça os lê e ouve com interesse e atenção redobrada. Não é de
perto ou longe o meu caso.
Tudo
isto espelha uma baixeza sem nome e “preocupa-me” por saber do peso que têm
sobre os comuns.
Bem
se pode exsudar (1) conhecimento, competência, o
que seja… Qualquer dessas qualidades ou virtudes, ao pé da imprescindível
“sorte” de «cair em graça», é pouco. Ou nada.
Nada
disto tem qualquer novidade. Nenhuma. Em 73, perguntava-se
«Como é que é tão
difícel ser decente e não ser cretino? E ser humilde? Porque o grande problema é só este: estar ou não estar na mó de cima. […] Uma carreira faz-se não com o que se é, mas com o que se exibe ser-se.
Da superfície para baixo todos os lodos
são permitidos. Ó país do tamanho de
um papel higiénico! Eu não quero lá
estar. Mas estou. E essa diferença é que me trama. Porque toda a diferença é um estigma.
[…] Ser qualquer coisa é sobretudo
parecê-lo. Os factos reais são estes:
dois ou três tipos lançam a opinião a
haver. E é logo a opinião que há.», solipsisticamente,
Virgílio Ferreira.
É
por aqui que passa grande parte do meu temor. Tudo isto -- a crise e as
dificuldades inerentes --, há-de passar. Tudo passará com excepção da trampa.
Pior: muita de toda esta trampa em que década após década nos atolámos, sairá
revigorada. E hão-de ter versatilidade bastante para o golpe de rins que os
manterá na crista das ondas, ajudados que serão pela imbecilidade colectiva.
(1) a
voluntária ou involuntária demonstração de competência é um erro fatal. É,
todavia, a cupidez uma “qualidade” mais democrática e, por consequência, muito
mais cultivada.
ACTUALIZAÇÃO
entretanto alguém deve ter pedido explicações ao filho do doente e exigiu a reposição da verdade. O menino asim fez. No mesmo sítio onde colocara o "desmentido". Ciumenta e possessiva, a criatura.
ACTUALIZAÇÃO
entretanto alguém deve ter pedido explicações ao filho do doente e exigiu a reposição da verdade. O menino asim fez. No mesmo sítio onde colocara o "desmentido". Ciumenta e possessiva, a criatura.
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