=
Miserável =
O
que classifico, quem qualifico de miserável?!
· que
a esta altura do campeonato ainda se teorize em torno dos que têm vergonha de
ser, pobres;
· os
“cerebelos” que têm vergonha de assim se tomarem: por pobres.
... digo
eu que, mesmo quando tive [algum] dinheiro, nunca logrei mais do que isso: ser
pobre. Daí nunca ter sido
proprietário de um Bugatti ou, por isso, serem os meus filhos portugueses
[não
seriam, garanto, caso alguma vez tivesse sido rico]
Os
pobres não se fazem ouvir, não se manifestam ou se se manifestam, fazem-no ao
tombar do dia, pela calada da noite, buscando uma sopa quente, tocando a uma
campaínha que lhe ceda um cobertor, buscando um pedaço de chão onde se abrigue,…
não usam a net, não escrevem em blogs, não frequentam redes sociais.
Muitos miseráveis, sim: têm net; frequentam
redes sociais onde exalam piedade e afirmam abraços, solidários e fraternos,
por quanto é copain; abjuram
comportamentos, procedimentos e opções ou silêncios cúmplices; compõem manifestações contra a pobreza; etc…
Lamento
os pobres; compadeço-me com eles. Dou a mão a um pobre. A miseráveis, não: aos
pobres de espírito devoto-lhes efectiva indiferença. Não me condoo com a
situação, injustificável ou justificada, de pobres de espírito. Mais: estou
ciente que no dia ou quando encontrarem vacina para esses miasmas estarão removidos
imensos dos escolhos que vos tolhem os passos e toldam a visão.
A pobreza do século XXI é basicamente igual às dos séculos anteriores. Mais côdea menos côdea. Assim fosse a miséria. Não é: está mais disseminada, mais democrática e infelizmente é muito mais elaborada portanto, dissimulada.
E
é, mais ou menos assim, quase tudo
[no
que concerne à choramingada “pobreza” instalada]
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