Sete
anos de perorações aqui e outros dois no Causas
e Coisas [de que não há vestígios com excepção
do que cuidei guardar para mim] sobre os atalhos, apreciando os caminhos
e sinalizando os descaminhos com que a colectividade trouxe e pelos quais fez
desandar este aprisco até ao olho do furacão pela terceira vez, pouco sobeja
senão a recordação da trama de Robert Traver, e a que recorreu Otto Preminger,
em Anatomia de um crime.
Por
certo apenas temos um cadáver e a certeza de que o é porque foi assassinado.
Quem o matou?
De
isso tudo… do cadáver, do(s) médico(s) legista(s), da(s) arma(s) e do método ou
da forma do crime, do(s) indiciado(s) pelo acto, do(s) remédio(s) antiséptico(s),
das regras dos homens, etc… em nada me revejo e a rever-me, rever-me-ia apenas,
talvez, e exclusivamente, no advogado
que começa pela recusa da defesa do(s) indiciado(s) mas que depois vacila acabando
por mudar de opinião.
Não
estamos no necrotério face a um cadáver; estamos nos cuidados intensivos
perante um moribundo em estado lastimável. Sabemos quem o pôs assim e também
sabemos que quem assim o pôs, foram o(s) indiciado(s) com a qualificada ajuda do
próprio que apesar de avisado, conscientemente, criou a situação para este
desenlace e ainda de quantos
testemunharam e aclamaram, ou silenciaram o mais puderam do que seria o
dramático e inevitável desfecho.
O
moribundo está que valha-lhe Deus, que lhe valha qualquer outra coisa,… tudo é
passível ser-lhe útil com a óbvia excepção do que quer que seja, e dependa,
dessa massa antromorfizada.
Foi
sempre quase tudo tão pastoso, tão promíscuo, tão difuso, tão meias-tintas, tão
medíocre, tão laxista,… e, por favor, não me azucrinem com a ladaínha, antinómica, da arenga pessimista e outras
basófias de quilate semelhante. Constatações análogas ou piores ninguém as fez,
dos austríacos, que Thomas Bernhard por intermédio do Reger em Antigos Mestres.
Não implicou isso que os austríacos tenham mudado no que fosse ou que Bernhard tenha
deixado de ser quem foi e que Reger, anónimo, deixasse de ter absoluta razão e
sem ter de cuidar em dilucidar se também ele era causa ou apenas consequência.
Essa é lenga-lenga para líricos; é
conversa para boi dormir.
Chocados,
perplexos, admirados, indignados e mais o raio que os parta a todos é o que
mais se ouve e lê por aí. Estarão... pois que estejam. Podem gritar tudo: não
podem é gritar que tenham sido, ou sejam, inteligentes. Por uma simples razão:
se efectivamente o fossem não podiam ser tomados por tão “dóceis”. Há,
consabidamente, muitas excepções. Mas essas são do domínio público e são
muitíssimo menos do que as que são polvilhadas nas pouco menos do que
indigentes redes sociais.
A
admiração é mais fácil que o respeito, que a consideração; a admiração é uma
característica do estúpido. O estúpido admira;
o inteligente, não. O inteligente respeita, considera, compreende, assim
é que é. Para o respeito e a consideração e a compreensão é preciso
inteligência e as pessoas não têm inteligência. Sem uma réstia de entendimento
e efectivamente desprovidas de qualquer capacidade mental vão até às pirâmides e às colunas sicilianas
ou chegam junto dos templos persas e impregnam-se, e à sua estupidez, de
admiração. O estado de admiração é
um estado de debilidade mental. A admiração não é
característica apenas das pessoas ditas incultas, pelo contrário, é própria também, numa dimensão
assustadora, das pessoas
que se dizem cultas o que é ainda mais repulsivo. O inculto admira porque é
simplesmente demasiado estúpido para não admirar, o culto, porém, é para isso
demasiado perverso. A admiração das pessoas ditas incultas é absolutamente
natural; a admiração das pessoas
ditas cultas é uma perversidade.
De
mim, por mim e pelos meus [por sangue e/ou afecto]
faço uso com critério, e sem desfalecimento, do provérbio umbundo «Quem feriu, esqueceu; quem foi ferido, não» [o que
convenhamos, verdade seja dita, não me dá qualquer proveito material mensurável
mas também, por outro lado, nunca me originou pedras biliares, mau hálito ou
insónias].Nunca
sarei as minhas [feridas] e tenho por certo
que jamais as sararei.

Dou os meus parabéns à perseverança do autor do blogue - não obstante o tom funéreo do texto. ;)
ResponderEliminarAbraço.