Ser ou não ser, eis a aflição
«Um poeta sueco que ninguém conhece ganhou o Nobel, e logo os telejornais correram a desencantar uma ligação do homem a Portugal. Eufóricos, desencantaram uma: um par de poemas com referências a Lisboa e ao Funchal. Dai-nos paciência. Sobretudo, dai-nos ou, se ainda sobrar réstia de crédito, vendam-nos a noção do ridículo.
Já era provinciano achar-se que o sucesso internacional de um português, seja na bola, seja na física quântica (costuma ser mais na bola), é partilhável por cada um dos portugueses restantes. E era muito provinciano anunciar orgulhosamente à plebe que a celebridade X possui um tetravô da Covilhã ou que a celebridade Y passou um fim-de-semana em Lagos. Mas ainda não valia tudo. Desde o frenesim nacionalista provocado pelo cão lusitano de Barack Obama, infelizmente passou a valer.
O complexo de inferioridade associado a esta busca incessante não só é típico de quem receia passar despercebido: é típico de quem receia nem sequer existir. Hoje em dia, porém, o complexo é igualmente desnecessário. Para atestar a prodigiosa notoriedade da pátria, basta preterir as notícias da cultura e da ciência em favor das notícias de economia e constatar o desespero que hoje assola a Europa, em boa parte graças a Lisboa e, um bocadinho, ao Funchal. Além do Nobel, o poeta sueco tem pontaria.»
in DN

o Y esteve cá e eu não soube? sou mesmo um repórter fotográfico falhudo, falhei mais um... cromossoma.
ResponderEliminarEm cheio, meu caro.
ResponderEliminarNestes últimos dias a patetice parece ter tomado conta da malta das notícias e comentários - veja também, por exemplo, a elegia ao Steve J.
Abraço.