sábado, 22 de outubro de 2011

A “rasteira”

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… repito: falar em equidade -- num “lugar” em que pouco mais se tem feito do que reiteradamente [a maioria das vezes sem qualquer nexo racional] criar iniquidade e fundas desigualdades de índole vária e conforme a força reivindicativa [força sempre avaliada à luz da sua expressão eleitoral] dos respectivos lobbies -- is another little swindle.

Esta constatação não tem nada qu’ espante:
as coisas chegaram ao ponto a que chegaram; o regime é a comédia que é; os serviçais, cortesãos e toda a sorte de incumbentes estrebucham por sentirem os úberes a encarquilhar; a populaça arrasta-se pela ruas da amargura e, atoleimadamente, ao invés de tentar sair do beco vai em direcção ao muro, atraída pelo ruído de festas alheias;…
isto é um cúmulo de equívocos, gerado por uma série de artistas de feira que se têm revezado. Os capazes que se propunham fazer algo foram queimados pela “revolução”, os seguintes serviram-se e agora ou trabalham por baixo das mesas ou escusam-se à “mistura”.

Há conversas para que não contribuo como essa dos “do Estado” e dos “do privado” por esta simples razão: foram sempre duas realidades com detalhes tão diferenciadores que, pretender compará-las, é como querer avaliar o azeite pela água da curtimenta da azeitona.

O que Cavaco Silva está presentemente a fazer com o governo no que respeita à proposta de OE 2012 não é (salvaguardadas as circunstâncias e a natureza) muito diferente daquilo que fizeram, Melo Antunes (via CR) e Ramalho Eanes (via Belém), com o PC na sequência do 25 de Novembro de 1975. O que foi feito, feito ficou. Mas que o regime e o país nada lucraram com isso, não.

Aqueles acorbardaram-se e tiveram medo das eventuais consequências de um PC outra vez na clandestinidade; este tem medo que o PS vá engrossar as fileiras dos indignados - o que é um erro: o PS vai estar a fazer jogo duplo (um -- de dia, no parlamento -- negociador talvez conciliador e responsável e outro -- à noite, nas catacumbas -- de "desestabilização" e de cizânia).
Cavaco Silva disse algo que “vem nos livros” (vem mais ou menos assim; depende bastante da direcção do vento) mas que também sabia ir dar azo a que o PS -- … apesar do chinfrim se absteria na votação global e faria o que lhe compete na especialidade -- passasse a partir daquele instante a colocar sob “chantagem” o governo, escudando-se nas palavras do Presidente, e (como seria de esperar) colocando, já, no terreno um aríete, Ferro Rodrigues, a espezinhar o resultado eleitoral (com 4 meses de vida), borrifando-se para a legitimidade e essas coisas caracterizadoras do Estado de Direito (para muito tem servido com excepção de lhes queimar a língua) que agora, e por exclusiva conveniência, mandam retrete abaixo. Golpada! posto que não existe (de essencial ou acessório) nada de novo, que não seja o que tem sido e que não esteja como sempre esteve à disposição das instituições e dos respectivos titulares.
Está o Presidente da República com dificuldade em resistir à tentação de mudar o norte-magnético da política nacional para Belém? Me parece que sim. Ora, eu teria ficado muito agradecido que, esses esmeros, os tivesse revelado na legislatura anterior e oportunidades, e montanhas de razões para o fazer, teve e não fez.

Pois fossem a convicção, o calibre, a disposição e a disponibilidade de Passos Coelho, de Paulo Portas, do PSD, do CDS, a dos “do governo” e a dos “dos partidos” a que eu idealizo, e o caldo estaria entornado… ainda antes da discussão na generalidade do OE ficava com o menino nos braços. E já que é crente e cristão, fosse o que Deus quisesse.

Nota: o que consta da gravura ao lado (retirada da página do Facebook) é a confirmação de uma tentativa de “reorientar” o norte-magnético.

1 comentário:

  1. Eu, se fosse ao Passos Coelho, mandava-lhe era uma mensagenzita literalmente nestes termos: - tá mas é calado que também tens culpa da merda feita e que estamos aqui a tentar resolver, caladinho como o teu amigo Loureiro, que vai gozando da golpada.
    Sou algarvio, funcionário público e social democrata, mas este Cavaco é mesmo um merdas.
    A rasteira é coisa própria de tipos cobardes.

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