sábado, 1 de outubro de 2011

Isto 'tá pior do que julgava

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Nem outra coisa seria de esperar -- a blogosfera (a informada, a erudita, a que pensa) [mas que miséria!] está encharcada com o vídeo da intervenção de Mia Couto, Murar o Medo, n ‘ As Conferências do Estoril / 2011.
Um desfiar de trivialidades, de interrogações iniciáticas, uma patética tentativa revisionista de “segmentos” da História contemporânea argamassada por uma reaquisição de clichés, panfletários à época do Make Love not War e dos soixante-huitards. Que pena! ao menos tivesse ousado verberar a relação «um em cada seis seres humanos passa fome» que se mantém incólume, apesar de tudo e de todos, há pelo menos cinco décadas -- se hoje são os somalis e os do Darfur, há cinco décadas foram os Bangla Desh e os do Biafra. Mais, se há cinco décadas não eram equacionados os da China, da antiga União Soviética e mais as “democracias populares” tuteladas, os do Coreia, etc… (e não eram!) tal se devia ao encobrimento miserável que lhe providenciavam quantos, pelo mundo civilizado, anafado e bem bebido, nos propunham caminhar por trilhos marcados pelo «ateu barbudo» em versões de parede -- dazibaos ou em edições populares de capa vermelha e / ou de capa verde.
Abomino este tipo de preleções de cariz humanista, caritativo com estes laivos de comiseração. São de um cinismo atroz.
«Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades», disse. Não tendo dito porém, e deveria tê-lo feito, quantas dezenas de milhões não foram barbarizados por forma a que os trilhos impostos fossem percorridos (sem exclamativa).
«os(…) ditos terroristas são governantes respeitáveis». São?! terá de o dizer aos milhares de Maputo que vieram para a rua, aos da Renamo e aos demais que têm (muito) medo; terá de o dizer aos de Luanda que têm tentado assomar à rua e aos outros milhares que não sonham fazê-lo por estarem conscientes que o poder em Luanda, não é a "brincadeira" de Moçambique.
... palavrório inconsequente.
Que pena! digo-o com toda a sinceridade. Ou não ocupasse(m) Mia Couto (e Eduardo Águalusa) o(s) mais “distinto”(s) lugar(es) da(s) minha(s) prateleira(s).
Atenuo-lhe a pena porque “não se diz, o que tem ser dito, em sete minutos”; agravo-lha por saber que “quando não se pode dizer ou não se tem como dizer, cala-se

1 comentário:

  1. Assino por baixo, sem nenhuma reserva. Nunca esperaria do Mia Couto tal desfilar de futilidades, dignas de um Paulo Coelho.

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