«Uma nação só vive porque pensa. A força e a riqueza não bastam para provar que uma nação vive (…) Um reino de África, com guerreiros incontáveis nas suas aringas e incontáveis diamantes nas suas colinas, será sempre uma terra bravia e morta, que, para lucro da Civilização, os civilizados pisam e retalham(…)»Eça de Queiroz in "Correspondência de Fradique Mendes"
Três anos e meio após o lançamento da tal coisa, que existe?
- obras visíveis nos acessos à AE1 e à EN1.
Vestígios de ocupação?
- vedação com arame e blocos de cimento em 100ha. de terreno (delimitados pela central termoeléctrica do Carregado e a nova estação de caminho de ferro) e uma "escrava" que, consta, vai abrir a porta do stand de vendas.
O preço de tudo aquilo?
Todos os que, sem esforço, se adivinham e mais os irrecuperáveis -- segundo Ventura Reis, presidente da JF, "desafectou-se um terreno desta dimensão que era RAN [Reserva Agrícola Nacional] e que continha um dos melhores lençóis de água doce da Europa".
Pensarão?! eles; pensamos?! nós.
«Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. (…) A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma (…); ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios (…); em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os vaidosos, os especuladores ásperos; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. (...) todos querem penetrar na arena, (…) cortesãos ávidos de consideração e de dinheiro (…)»
Eça de Queiroz in "Distrito de Évora"

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